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quinta-feira, 18 de abril de 2013

AS DIVAS NA COZINHA



Volto a postar depois de um tempo pra falar de Divas, aquelas que sobreviveram ao tempo. E foi este mesmo, o tempo, que me fez agradecer de uma maneira carinhosa um presente que ganhei de uma querida amiga, a Simone Duboc. O presente foi o livro do Evânio Alves: As Divas na cozinha. Um livro delicioso que mostra porque mulheres tão famosas e importantes iam pra cozinha.
Depois de me afogar nas páginas, percebi que as receitas são coadjuvantes no contexto. Não acreditei em muitas delas, mas depois de fazer e provar algumas, tive certeza que não estão ali por acaso.
Passei para devolver algo na casa da Simone, e o tempo não me deixou descer, um amigo desceu, entregou e trouxe para o carro o presente que ela tinha mandado. Abri um sorriso e coloquei o mesmo debaixo do banco pra ver com calma quando chegasse em casa. Infelizmente, esqueci o livro debaixo do banco do carro e um bom tempo passou. Um dia, quando fui organizar o carro, encontrei sem querer o presente e fiquei assustado e ao mesmo tempo indignado comigo. Como pude esquecer um presente que foi me dado com tanto carinho? Fiquei mais culpado quando abri o livro e logo na primeira página estava uma dedicatória linda do autor.
Depois de tudo, pensei que a melhor forma de agradecer o presente fosse um jantar com as receitas do livro, fiquei empolgadíssimo com a ideia e logo liguei pra Simone e a convidei pra jantar como se fosse um dia qualquer. Nem falei sobre o livro, continuei sem agradecer.
Tentei montar o menu com o mínimo de variação possível. Não queria fugir em nenhum momento da magia do livro. Menu impresso e mesa posta:




A primeira entrada é receita da “multicultural” Dalida, uma salada denominada mexicana, deliciosa. Os ingredientes são simples, mas a combinação é perfeita. O mais interessante do prato são as migalhas de pão fritas e aromatizadas no alho. Isso sim é comfort food:




A segunda entrada é receita de Bidu Sayão, a brasileira que foi embora do país e nunca mais voltou para realizar o seu sonho de rever a Baia de Guanabara. Surpreendeu-me muito, olhei a receita no livro e nem gostei tanto, mas depois de pronto ficou divino. Combinação de sabores e textura incrível. Sopa de abobrinha com Curry e Chantilly:




No prato principal duas divas dividiram o mesmo palco...opss, prato! Almôndegas suecas, receita da lendária Greta Garbo e para acompanha-las um purê de batata doce aromatizado com laranja e gengibre, receita da fascinante Brigitte Bardot:



 
Quem nos presenteou com a sobremesa foi a Rainha do cinema mudo, Mary Pickford, com uma tortinha de geleia de framboesa. Escolhi a sobremesa por achar a receita da massa estranha e ao mesmo tempo interessante: 200g farinha, 200g manteiga, 200 cream cheese. Consegui o ponto com quase 400g de farinha, mas ficou excelente, para acompanhar a torta quentinha, servi sorvete de baunilha:




As trilhas sonoras dos filmes onde as divas brilharam trouxeram ares de outrora. Foi uma noite deliciosa!

Beijos e abraços temperados.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Referências Potiguares.

Era um jantar especial. Pois receberia “oficialmente” uma amiga que foi morar na terra da rainha e está de volta ao Brasil, depois de seis anos.  É amiga de longa data e quando ela foi embora de Ribeirão Preto, sua família ainda morava aqui. Logo depois, a família largou tudo e foi viver na praia, lá no Nordeste. Especificamente em São Miguel do Gostoso-RN. Não sei o porquê, senti vontade de preparar um jantar com algumas referencias do Rio grande do Norte. Talvez isso me faz lembrar da família, que eu tanto sinto saudades.
Quem nasce no Rio Grande do Norte é chamado de POTIGUAR, que vem do tupi e quer dizer “comedor de camarão”. Sendo assim, camarão era fato consumado no jantar. Gostaria de usar alguns ingredientes típicos também. Câmara Cascudo me ajudou na pesquisa, já pensei em falar sobre ele aqui no blog, mas o dito cujo, merece um post exclusivo.
Queria montar uma mesa para dois e lembrei-me de um tecido LINDOOOO da AGain, que um amigo usou em uma de nossas confrarias. A estampa de bananas tem a cara daquela região e achei que ficou ótimo no contexto:

Durante minha pequena pesquisa, fiquei intrigado com um caldo que denomina-se “cabeça de galo” é típico do nordeste e tem a função, para eles, de curar a ressaca. Os ingredientes eram simples e extremamente “fortificantes”. O que foi ótimo, minha amiga estava passando, coincidentemente, por uma leve ressaca.  Escolhi para servir de entrada. O caldo é feito com cebola, alho, pimentão, tomate, farinha de mandioca e ovos. Surpreendi-me com o sabor, achei delicioso. Depois fiquei pensando que a abóbora, jerimum para eles, daria um toque interessante no prato:

Já tinha escolhido camarão para o prato principal e queria mais algum ingrediente típico, claro que optei pelo caju e saiu: arroz cremoso de camarão com caju. Tinha pensado em fazer o prato com arroz vermelho, muito comum na região. Mas o cozimento é demorado e não daria a cremosidade que eu queria. Achei a “cochambrança” interessante:

Pensei em algumas sobremesas e gostaria de usar macaxeira e carambola. Pensei, pensei, pensei  e resultou em uma Mousse de macaxeira com calda de carambola. Particularmente, achei interessante e “ponto”. Camila Romano adorou, falou que foi o melhor dos pratos:

Com tudo, quase matamos nossa saudade, foi uma noite deliciosa, clima agradável, onde me fez lembrar os tempos de outrora. Que delícia viver!!!
Beijos e abraços temperados.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Jantarzinho prático e rápido.



Não é só de conceito e novidade que vive uma cozinha. Não estou falando da nova onda “Comfort food”, mas a carapuça também serve. Estou falando de quando dá aquela vontade danada de comer pizza de tomate seco com rúcula, filé Chateaubriand, carne seca com abóbora,  queijo com goiabada e tantas outras combinações que permeiam nossas memórias e paladares. Bobo que sou, às vezes tenho vergonha na hora de servir alguma dessas. Não deveria! Faz parte da nossa história e a maioria dá muito certo.
Divaguei um pouco para falar de um jantarzinho que servi em casa um dia desses. Dia que amigos ligaram querendo ir para casa beber e conversar um pouquinho. Como sempre, fico atiçado e tenho que correr para cozinha. Mas esse dia eu queria curtir um pouco mais a mesa. Portanto, procurei ser prático e veio em minha memória um monte de receita pronta e combinações clichês que eu ainda gosto.
Tentei não perder tempo no supermercado e me virar com o que tinha na despensa e geladeira. Só tive que passar na quitanda e pegar algo para a salada. Sorte a minha, encontrei uma folhinha de beterraba baby linda e outros ingredientes que no final quase saiu uma Salada Waldorf, só que reinventada. Simples, rápido e bem gostoso pelo contexto:

Tinha um linguado na geladeira e lembrei-me de um risoto que um amigo me pedia para fazer há tempos. Voei para o clichê e fiz linguado em crosta de castanhas, acompanhado de risoto de pêra com gorgonzola:

Pessoal, posso me esconder debaixo da mesa agora? Servi sorvete na sobremesa! Eu odeio ir a um restaurante e tomar sorvete no lugar de sobremesa. Olho até com preconceito o cardápio que estampa o gelado em sua seção “Desserts”.  Mas (tentando justificar), aqui na minha cidade, Ribeirão Preto, tem uma sorveteria bastante tradicional e com uma qualidade incrível, difícil de ser encontrada em muitas outras por ai. O sorvete de lá é ótimo, sem nenhum conservante e outros aditivos dos tempos modernos. Apelei para o sorvete de goiaba, que pra mim, é o melhor de lá. É a própria fruta em outro estado. Servi com queijo cremoso e hortelã. Apesar de simples, ficou ótimo:

No final das contas, pude aproveitar um pouco mais a conversa agradável, todos os meus camaradas em volta da mesa e comer pratos que estava com vontade e não fazia há tempos.
Beijos e abraços temperados!!!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Degustando Pina Bausch.

Misto de claro e escuro, cheio e vazio, completo e nada.  Para entrar no universo de Pina é preciso um pouco de feitiçaria. Conheci Pina faz poucos anos e desde então fiquei enfeitiçado por aquela mulher magra, de semblante doce e forte ao mesmo tempo. Nunca tive a oportunidade de ver ao vivo um de seus ESPETÁCULOS, mas os mesmos estavam circulando na minha mente.
Inspirado pelo filme de Wim Wenders, “PINA”, não tive dúvidas: Pina Bausch merecia um jantar. O filme é lindo e mostra um pouquinho das criações da bailarina. Resolvi pesquisar um pouco mais e criar o jantar. Não a partir do filme, e sim do que me tocava quando lembrava de Pina Bausch.
Queria um menu que lembrasse as criações da artista. Busquei os riscos, emoções, medos, sonhos e tudo que pode tocar qualquer mortal. Acabei criando-o a partir dos principais espetáculos de Pina (Rough Cut / Acqua / Lenda de Castidade / Vem, Dança Comigo / Café Muller).
Quando quero uma coisa, quero logo (para variar). Não tinha muito tempo para fazer o jantar (também para variar). Dessa vez, o jantar foi na minha casa e queria que os poucos convidados tivessem algum conhecimento sobre a artista. Tentei ambientar com o mínimo de elementos, marca registrada de Pina. Quando os convidados chegaram, encontraram as
cadeiras do Café Muller, no chão:



Apaixonado pela artista que sou, já tinha alguma coisa do serviço inspirado nela. No ano 2010 o estilista Ronaldo Fraga criou peças para uma rede de lojas, não resisti e usei algumas no serviço:



No amouse, queria algo que lembrasse o meu primeiro contato com Pina. Diferente ao meu paladar, algo nunca antes sentido: um estranhamento. Condicionado ao espetáculo Rough Cout, inspirado na Coréia do Sul, servi Kimchi, que é uma conserva de repolho ou acelga, típica do país e presente em quase todas as refeições dos coreanos. Realmente é diferente, muito condimentada e, a princípio, estranho ao nosso paladar. Era o que eu queria para iniciar o jantar:



A entrada fez referência ao espetáculo Acqua, inspirado no Brasil. Queria uma cor vibrante e ingredientes que lembrassem o país. Mousseline de abóbora com carne seca:



O primeiro prato foi inspirado no espetáculo Lenda de Castidade. Fiz uma brincadeira com o tema e servi um prato com ingredientes “afrodisíacos”, contrapondo a castidade. Vieiras com açafrão e molho hollandaise com mel:



O segundo prato levou o titulo do espetáculo “Vem, dança comigo”. Foi realmente um convite. Os ingredientes típicos alemães foram dispostos no aparador: carne suína com seu próprio molho, calda de cerveja, ervas,  especiarias, mostarda e purê de maçã:




Cada comensal tinha que montar o seu prato. O elemento humano era o mais importante na situação. Os riscos, medos e anseios eram para ser dispostos ali. Observei que a maioria tentou usar todos os ingredientes dispostos. O resultado foi bem parecido na maioria dos pratos:



A sobremesa referenciava uma de suas mais famosas e importantes criações o “Café Muller”. Foi o espetáculo de Pina que mais me tocou. Queria que todos se envolvesse com a referência das cadeiras solitárias no início e resolvesse a solidão no final, com o próximo. Com isso, todos dividiram o mesmo prato. Rote Grünze é um prato típico da região de Wuppertal, cidade natal de Pina. Uma geléia caseira de frutas vermelhas, que geralmente é servida com creme de baunilha. Confesso que a simplicidade fez sucesso e foi uma delícia ver todos com sua colher dividindo o mesmo prato. Lembrando que o vermelho evoca o amor:



Que Pina continue permeando nossos sonhos e fantasias. Que o novo, o inédito, o espetacular... sempre estejam presentes nos nossos dias. Que o amor seja lembrado em cada gesto, em cada dor e que continuemos sempre assim:
AMANDO!!!
“Acho que cada pessoa tem de descobrir isso por si só. Não se pode dar conselhos. Cada um tem sua maneira de coreografar. Claro que é muito bonito ter uma riqueza variada de possibilidades, alguma coisa ligando as diferentes artes. Mas não sei dizer se é ou não a melhor forma, podem ser muitas coisas juntas em harmonia. Formar escolas é perigoso, porque breca a fantasia. Me parece importante que as pessoas mudem os momentos de suas vidas. O sentimento sobre o que está acontecendo no mundo é sempre um novo momento. ” Pina Bausch

terça-feira, 20 de março de 2012

Gostinho de Paris!!!

Sempre é um prazer cozinhar na casa do André Peixoto. Além disso, estava junto alguns queridos que fazem parte da minha vida. O jantar foi decidido de última hora, como sempre. Estava morrendo de vontade de comer Boeuf Bourguignon e também lembrei do Ovo Molett que um outro amigo comentou comigo aqui pela internet. Sendo assim, ficou fácil decidir o menu, pois tinha que ser fácil, rápido e com a cara da França.
Enquanto eu lutava com os ovos na cozinha, que por sinal é um teste de paciência, todos participavam do mise en place na sala.

A entrada foi o Ovo Mollet acompanhado de cogumelos e torrada. É um clássico do Restaurante Le Jazz em São Paulo, e fica delicioso para quem gosta de ovo. Crocante por fora e bem molinho por dentro. Aí está o desafio, se bobear na hora de descascar, você fura o ovo e volta a estaca zero.

O prato principal foi o Boeuf Bourguignon, que eu estava morrendo de vontade. Dessa vez, fiz a receita do livro da Júlia Child e ficou mais gostoso ainda. Só não admito Boeuf Bourguignon feito com filé mignon. Acho que o prato tem que ser feito com uma carne mais saborosa, ainda mais que o cozimento é lento, possibilitando assim usar músculo, que fica DIVINO.  A apresentação do prato não ficou tão bacana, mas o sabor camuflou isso.

De sobremesa, o clássico Crepe Suzzete servido com sorbet de laranja. Foi o prato que menos me agradou no jantar. Acho que a calda passou um pouquinho do ponto e não ficou tão suave quanto deveria.

No final, uma noite deliciosa, regada a muitas conversas, música,  histórias e vinhos.
 Vive la France !!!

Fotos: Fernando Oliveira

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

3 amigos, 3 jantares e 3 pratos.

Foram dias diferentes, amigos diferentes e pratos diferentes.

A entrada foi servida para um amigo que passou sem avisar. Abri um vinho e corri para minha santa despensa/geladeira. Abacate à vista e salmão defumado, fui ao jardim e colhi algumas folhinhas de manjericão e pronto:


Mousse de abacate com salmão defumado e manjericão


O prato principal foi ideia rápida de cozinheiro que tinha feito a Clementina com cogumelos crus para um querido que estava sendo cobaia. Sobraram cogumelos, tinha arroz negro e quiabo em casa. Saiu essa DELÍCIA aí abaixo:


Arroz negro com cogumelos e quiabo


A sobremesa foi parte de um jantar que tinha feito para 3 amigos. Não gostei do prato principal, que foi um risoto de abóbora, acompanhado de trouxinha de banana com carne seca. O risoto ficou incrível e a trouxinha ficou bem estranha, para mim, pois os comensais gostaram. Então prefiro lembrar somente dessa clássica combinação, apresentada de uma forma diferente:


Canelone de queijo minas padrão acompanhado de goiabada com alecrim


Fica aqui a sugestão de um menuzinho rápido, fácil e bem gostosinho.


Abraços e beijos temperados!!!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

JANTAR RELÂMPAGO

Pois é! Não gosto de ser pressionado com tempo, mas na maioria das vezes isso é inevitável. Esse último jantar foi oferecido para uma querida prima adolescente.

Foi o seguinte: aniversário dela na semana anterior e não pude comparecer por motivos "gastronômicos", liguei pedindo mil desculpas e fazendo um convite: sair para jantar na próxima semana ou preparar um jantarzinho só para nós dois? Claro que a danadinha, que adora experimentar novos sabores, escolheu a segunda opção.

Sempre que tenho oportunidade levo-a para jantar e experimentar algo novo. Ela adora! Gosto de aguçar isso nela, pois essa curiosidade e admiração não é nada comum nessa idade.

Esse dia eu tinha dois compromissos na mesma noite, ou seja, nada fora do comum! Tive que decidir o menu na quitanda da esquina e no supermercado. Trinta minutos de compra e tudo decidido. Lembrando que tive a sorte do pedido de brigadeiro na sobremesa.

Menu:

MIL FOLHAS DE PALMITO PUPUNHA COM COGUMELOS E MOLHO TARÊ
PRATO PRINCIPAL: ARROZ NEGRO COM LEITE DE COCO E LINGUIÇA PORTUGUESA
SOBREMESA: BRIGADEIRO DE PISTACHE

Minha surpresa foi o carpaccio de pupunha com cogumelos e molho tarê. Tudo bem que enquanto eu comprava tudo, já estava acessando minha “biblioteca de sabores” imaginária, mas depois que experimentei, fiquei impressionado, ficou delicioso! A surpresa para ela, foi o arroz negro com leite de coco e linguiça portuguesa. Achei que ficou com sabor demasiado do coco. Mas ela não parou de comentar e pediu bis. A sobremesa não foi nada elaborada, só usei um bom chocolate, pistaches e apelei para uma apresentação diferente. Servi na colher sobre a madeira.

Ela adorou e já queria combinar outra experiência na próxima semana. Eu adorei também, só mudaria algumas proporções no arroz negro e ficaria ótimo. Mudaria também a farofa de pistaches, deixando pedaços maiores e mais uniformes.

Beijos e abraços temperados

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O SEGREDO DE FRIDA KAHLO


Há algumas semanas, ganhei o livro “O segredo de Frida Kalho” de um querido amigo, o Daniel Lomastro e descobri mais um segredo de Frida: ela cozinhava! O livro, do escritor mexicano Francisco Haghenbecke é incrível, mistura ficção com realidade. Mostra um pouco da rica cultura mexicana, mais do que isso, mostra a culinária na vida de Frida Kalho.

“O DOCUMENTO PERDIDO DE FRIDA”

"Entre os objetos pessoais de Frida Kahlo havia um pequeno livro preto que ela chamava de “Livro da erva santa”. Era uma coleção de receitas culinárias para preparar as oferendas do Dia dos Mortos, já que, segundo a tradição, no dia 2 de novembro os defuntos têm permissão divina para visitar a terra, e nós devemos recebê-los com um altar com cravos, pães, doces, fotografias carregadas de recordações, imagens religiosas, incensos de aromas místicos, caveiras divertidas de açúcar, velas para iluminar o caminho para a outra vida, e os pratos prediletos dos falecidos. Ao ser encontrado entre os objetos do museu localizado na calle de Londres, no bonito bairro de Coyoacán, converteu-se num valioso achado, que seria exibido pela primeira vez na monumental exposição em homenagem a Frida no Palácio de Belas Artes, por ocasião de seu aniversário de nascimento. Sua existência confirmava a paixão e o tempo que ela dedicava a erguer seus famosos altares dos mortos.

No dia em que a exposição foi aberta ao público, o livrinho desapareceu. "

Queria agradecer o livro com um jantar. Mas, queria que o jantar tivesse total influência sobre o livro, não queria fazer somente um jantar mexicano. É interessante que o livro tem algumas receitas que não são totalmente mexicanas, tem alguma coisa italiana, americana... Algumas receitas eu reproduzi, outras usei os ingredientes e mudei a técnica. Infelizmente não encontramos muitos dos ingredientes usados por lá, que são regionais. Principalmente a variedade de pimentas.

Queria que esse jantar fosse na casa do André Peixoto, acho que tem o clima da casa azul de Frida. O decór ficou por conta dele também:




Tentei relacionar a maioria dos pratos com passagens no livro e momentos marcantes na vida de Frida. Menu definido e impresso:



COUVERT: NACHOS E BROA DE MILHO SALGADA COM SOUR CREAM

ENTRADA: CALDO MEXICANO DE GALINHA.
“Um dia Diego convidou uma daquelas gringas sabe-tudo, e ela me perguntou por que tudo no México leva frango. Eu nunca havia pensado nisso. O frango é a base de nossa alimentação. É por isso que não tenho dúvidas: o caldo de frango é mexicano; não importa se foi criado pelos franceses, com certeza era comprado no mercado de La Merced.” p.65

 
 
PRIMEIRO PRATO: FILÉ DE PORCO ASSADO COM TEQUILA E REDUÇÃO DE SANGRITA COM CANJIQUINHA.

“A sangrita é a mulher. É a que tem cheiro de tempero e cebola. A que dá cor e ardido ao macho tequila. Os dois juntos são o idílio perfeito. Como eu gostaria de ser assim com meu Dieguito. Mas ele pode ser meu amigo, meu filho, meu amante, meu colega; nunca meu esposo. Depois do desastre que sofri com o bonde, ele foi meu pior acidente.” P. 20

SEGUNDO PRATO: RAVIOLI DE TAMALES COM ANCHOVAS E AZEITONAS.
“Para encher o bucho de todos aqueles glutões que chegavam ao apartamento de Tina, ela entrava com os tacos, e eles com a bebida e o tabaco. Era uma façanha preparar para todos. Púnhamos uma grande caçarola com macarrão, e Tina fazia vários molhos. Na mercearia da esquina, ao lado do Edifício Condesa, nosso lojista conseguia um grande queijo cotija defumado para substituir o parmesão. Era mais barato, e um pintor bêbado não reconhece a diferença.” P. 73

SORBET DE CAJÁ-MANGA.


TORTA DE MAÇA DA TIA EMY COM CALDA DE ROMÃ

“A comida na Gringolândia”



“Não gostei nada de comer no meio dos branquelos. Eu só queria um ovo mexido com sua pimentinha e uma pilhazinha de tortillas, mas não havia jeito, tinha que ficar quieta e engolir os insultos para desfrutar do mundo moderno.

O que eu gostava era de seus bolos. Eram como edifícios perfeitamente construídos. Também gostava dos restaurantes de negros. Ali tudo era colorido, desde a música até o amável sorriso da garçonete.” P. 114

Harmonizamos tudo com vinhos, poderia ter sido pura tequila né?

Talvez seja muita pretensão eu tentar homenagear Frida, mas o bacana de tudo, é o clima de festa, de celebração. Não posso dizer que esse foi o clima recorrente em toda a vida de Frida Kahlo, talvez em valiosos momentos. Temos uma visão muito romantizada da artista. Frida é puro sofrimento e sua obra é tão marcante por conta disso. Sou apaixonado por ela, como muitos são. Mas sou mais apaixonado pela forma que ela lidou com sua tragédia. Com coragem, audácia e dedicação ao seu amado Diego Rivera. Acho que o filme retratou muito bem sua vida, mas lembre-se: Frida foi muito além de qualquer história contada.

Que fiquem os sabores, os aromas e todas as cores de Frida Kahlo!

 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Jantares Inesperados. Lembranças!

Quando postei “Jantares Inesperados” lembrei-me de outro jantar que tinha feito com uma amiga, a Isabela Romero. Tinha as fotos guardadas e resolvi postar, infelizmente as fotos estão ruins. Esse jantar foi no mesmo esquema do último postado, resolvemos de uma hora pra outra.

Adoro conversar de gastronomia com essa amiga, é uma das únicas que os olhos brilham quando falamos qualquer coisa relacionada ao assunto. Como montamos juntos, virou aquele auê, discussões ao telefone e correria para encontrarmos os ingredientes. Foi um jantar para quatro pessoas e foi ótimo, essa reunião à mesa sempre me encanta.

Criamos um prato que depois apelidamos de prato emergente e isso foi motivo para piadas por muito tempo. Adoro cozinhar com você Isabela!


MISE EN PLACE!

 


VIEIRAS GRATINADAS COM ESPUMA DE CHAMPANHE E FOLHA DE OURO.
 



SALMÃO CROCANTE COM CARPACCIO DE CHUCHU EM VINAGRETE DE ERVAS (COPIA DO CLAUDE TOISGROS)

CAPELETTI DE PATO IN BRODO DE CARDAMOMO (SERVIMOS O BRODO DE UMA FORMA DIFERENTE)


SUFLÊ DE GOIABA COM CALDA DE CATUPIRY.



Beijos e abraços temperados!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Jantares Inesperados.

Quarta feira, 04 de maio de 2011, recebo um telefonema de um amigo, convidando para tomar vinho e fazer uma polenta em sua casa no próximo dia. Logo após, fico sabendo que este amigo convidou outro que levaria o namorado para ser apresentado.

Partindo do princípio que são amigos queridíssimos e qualquer ocasião com eles é especial, resolvi montar um jantarzinho com direito a menu completo!

Lembrei-me do quiabo da Roberta Sudbrack e de uma sobremesa do Alex Atala, usei como referência e criei dois pratos bem parecidos com os deles. Fuçada rápida na despensa, geladeira e menu pronto!

Menu impresso em papel vegetal.


Na quarta feira fui as compras e deixei separado todos os talheres e as louças . Adorei o jantar e como  crítico (adoro), vou postar as fotos dos pratos e comentar os pontos positivos e negativos, do meu ponto de vista e depois as opniões gerais (ouvidas da cozinha). Gerais = 4 pessoas. Rs

Pães variados com manteiga aromatizada e mostarda l´ancienne.
  

Pontos positivos: A manteiga aromatizada com especiarias e mel ficou ótimaaaa. Achei que a mostarda ía ficar over, mas harmonizou legal. Servi os pães quentinhos.

Pontos negativos: Não encomendei os pães antes e só encontrei em tamanhos médios, não mini, mas estavam super macios.

Opinião geral: Gostaram muito da combinação da manteiga com a mostarda. 


Quiabo defumado com carne seca trufada.


Pontos positivos: Depois de não conseguir equilibrar os quiabos como a Roberta, servi deitado e achei que ficou linda a apresentação. Sabores e contrastes ótimos.

Ponto negativo: Definitivamente, azeite de trufas nunca mais. Preciso jogar fora o resto do vidro. Como diz Rogério Fasano: “deve ser vendido pela ESSO”. Não adianta querer impressionar com azeite, se quiser , faça com trufas! Mas não use trufas com carne seca, uma heresia.

Opinião geral: Sucesso!!! Gostaram muito do prato!!! Rs


Polenta amanteigada com ragu de linguiça e cogumelos.


 Pontos positivos: A polenta ficou super saborosa, finalizei com bastante manteiga e parmesão. Usei vinho do porto no ragu e ficou delicioso.

Pontos negativos: Coloquei muita polenta no prato, deixando a apresentação feia. O ragu de cogumelos poderia ter sido feito com Portobello e não com shimeji branco.

Opnião geral: Prato vazio na cozinha, gostaram muito!



Filet com redução de açai e batatas dauphinoise.

Pontos positivos: A batata ficou incrível, o filet super macio e o molho exótico.

Pontos negativos: Acho que deveria ter só aromatizado o creme das batatas e não deixado os alecrins. A apresentação ficaria mais limpa e com o mesmo sabor.

Opnião geral: Elogiaram muito a batata, comentaram da maciez do filet e não fizeram nenhum comentário em relação a redução de açaí.


Queijos.


Pontos positivos: Apresentação bacana e ideal para começar a limpar o paladar para a sobremesa.

Pontos negativos: Poderia ter usado outro tipo de queijo, acho que o roquefort não cumpre esse papel.

Opnião geral: Só comentários da apresentação.



Sorbert de gengibre.


Pontos positivos: O sorbert é ideal pra limpeza do paladar. Sabor delicioso.

Pontos negativos: Não achei adequado o de gengibre para limpar o paladar.

Opinião geral: Suspiros no começo e depois comentário do gengibre bastante evidente.



Pudim de leite e capeletti de maça em caramelo de cardamomo.



Pontos positvos: Apresentação bacana, capeletti crocante e caramelo bastante saboroso.

Pontos negativos: Pudim muito doce.

Opnião geral: Todos comentaram a apresentação e da crocância do capeletti.

No final, adorei, só faria alguns ajustes, claro! Cozinhar para amigos e pessoas queridas, me deixa muito feliz!


Beijos e abraços temperados!!!